DISSERTAÇÃO DE MESTRADO

" A revista VEJA e o discurso do emprego na globalização - uma análise semiótica"

Prêmio de melhor dissertação de mestrado do País em 2002

Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Letras e Lingüística - ANPOLL

Orientadora: Prof. ª Dr. ª Diana Luz Pessoa de Barros. Defesa realizada em dez/2001Banca: Prof. Dr. José Luiz Fiorin (USP); Prof.ª Dr.ª Eni Pulccinelli Orlandi (UNICAMP); Prof.ª Dr.ª Diana Luz Pessoa de Barros (USP). UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO - FACULDADE DE FILOSOFIA, LETRAS E CIÊNCIAS HUMANAS -DEPARTAMENTO DE LINGÜÍSTICA - ÁREA: SEMIÓTICA E LINGÜÍSTICA GERAL

Resumo
A dissertação mostra como a revista VEJA tratou da questão do emprego em momento crítico da globalização. Buscou-se analisar como os textos da publicação são construídos, como conseguem transformar recortes e interpretações de acontecimentos em “fatos”, em verdades aceitas que, juntas, formam um simulacro sedutor da realidade que impele os leitores a determinadas crenças e ações. A metodologia adotada é a semiótica de Greimas e seus discípulos. É a partir da teoria greimasiana que são discutidas as relações entre linguagens – chamadas de sincréticas –, a diagramação, os efeitos de sentido de atualidade, e alguns mitos do jornalismo, como a idéia de fato, de objetividade, entre outros. O corpus principal é formado por cinco números da VEJA, selecionados de um total de 93 edições, veiculadas entre 4 de dezembro de 1996 e 27 de janeiro de 1999. As edições escolhidas abordam o tema do emprego por meio de manchete de primeira página, ou seja, com máximo destaque editorial. Também é analisada uma publicidade da própria VEJA para verificar os valores associados à marca e de que modo influencia os outros textos da revista.

Como acessar a dissertação
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Conteúdos dos capítulos
Introdução e Capítulo 1 - Por dentro de VEJA
O capítulo está dividido em três partes. Na primeira, é exposto, em linhas gerais, o trabalho de repórteres, editores e fotógrafos na construção de uma edição. Para isso, foram feitas entrevistas com os profissionais da revista entre outubro de 2000 e outubro de 2001. O painel resultante dá conta do funcionamento da revista nos últimos anos. Na segunda parte do capítulo, é contada a história de criação da VEJA e das dificuldades dos primeiros anos com base principalmente em depoimentos do jornalista Mino Carta, primeiro diretor de redação. Para fazer um balanço atual da revista, a terceira parte do capítulo apresenta uma entrevista com o atual diretor de redação, Tales Alvarenga.
 Capítulo 2 - Metodologia
O capítulo foi pensado não só para fazer uma pequena reunião da teoria sobre o assunto como também para fundamentar – dentro dos limites de uma dissertação de mestrado - algumas bases para a análise nos capítulos seguintes. Buscou-se discutir e entender o sincretismo de linguagens. A partir daí, abordamos alguns conceitos já sedimentados da teoria, notadamente na análise do plano de conteúdo dos textos, para examinar outros, como as relações entre os elementos verbais e não verbais da revista, os efeitos de sentido de atualidade, ou os provocados pela presença da marca VEJA. Buscamos também definir leis de diagramação para avaliar hierarquias entre elementos verbais e não-verbais.
Capítulo 3 - A construção da marca VEJA
Como postulamos que a marca VEJA é um simulacro do sujeito da enunciação, foi preciso examinar os valores associados à marca, como a identidade é construída e de que modo influencia outros textos da revista. Para isso, fizemos a análise de uma publicidade da própria VEJA. Outro ponto de interesse é que o anúncio examinado usa como mote a questão do emprego.
Capítulo 4 - Análise da edição 1533
O objeto de estudo é a edição 1533. O capítulo é dividido em duas partes: 1 - Capa Na análise da capa, são enfatizadas as questões do sincretismo de linguagens. Buscamos entender diversos efeitos de sentido, como o de atualidade, e as relações entre plano do conteúdo e plano da expressão, denominadas de semi-simbólicas. 2 - Reportagens.Na segunda metade do capítulo, é realizado o exame das reportagens, com estudo do percurso gerativo e da enunciação. Buscamos comparar algumas questões do jornalismo – como a idéia de fato, os gêneros de texto – com o que diz a teoria semiótica. Na análise do discurso, também fazemos uma tipologia argumentativa com base no Tratado da Argumentação de Perelman/Tyteca.
Capítulo 5 - jornalismo de "serviços"
Nesse capítulo, examinamos quatro números que se apresentam como matérias de “serviços”, ou seja, receitas de como obter emprego. O objetivo é saber como se cria um texto “aconselhador” e quais são as razões e conseqüências do uso dessa estratégia.
Capítulo 6 - A paixão do medo em VEJA - Conclusão e bibliografia
Em todas as análises, apareceu com força a paixão do medo. As marcas passionais foram verificadas em todos os textos do corpus e mostram dois percursos passionais distintos, um ligado à perda de objetos e o outro à perda de identidade. Ambos estão relacionados. Na ótica capitalista, é a junção com determinados objetos materiais que possibilita o reconhecimento do sujeito como “alguém” e sua classificação social.